terça-feira, 8 de julho de 2008

Meia-noite

Cláudia Magalhães


Meia-noite. Desde que você partiu levando o Sol, é sempre meia-noite. Todos os dias, na beira do abismo, entre a carne e a sombra, como os poetas, os bêbados, os loucos, eu te procuro, amor. Você nunca saiu do meu pensamento... Quantas lágrimas... Quanta dor... Não te peço pra voltar. Hoje, não te quero mais. Quando você partiu, amaldiçoei a minha vida. Em desespero, a solidão arrancou a minha língua, mas não calou os meus gritos. Sem suportar o peso da saudade, essa maldita ferida do amor, o meu coração parou de bater. Parado em minhas veias, o meu sangue, louco, fazendo-se de tinta, escorre pelos meus dedos e reinventa a vida sobre o papel. Nessa batalha contra a morte, busco nas palavras, alguma idéia que acalme o meu medo, quase insuportável, de morrer. E escrevendo eu te reencontro, amor... Brincando de ser Deus, crio um mundo onde você não é capaz de me dar adeus, de ir embora. Nesse mundo de milagres, não existe o certo, nem o errado. Encharcado de sangue, suor, saliva e vida, te faço meu herói. Queimo o teu corpo. Em seguida, mergulho as tuas carnes em minhas águas profundas, até você morrer, ressuscitar e, novamente, me ver chorar... Chorar pelo sexo como faz toda mulher diante do amor...
Não! Não precisa voltar! Hoje, aprendi a te amar... Entre o mundo definido e o indefinido, eu te perco e te reencontro, sob o comando da voz louca do meu cérebro que, sem juízo, entrega-se com violência ao que me resta: escrever, escrever, escrever...

24 comentários:

www.cefascarvalho.blogspot.com disse...

Mais um belo texto com a sua cara: visceral, lírico, meio barroco e passional. Parabéns e que sua meia noite se transforme em um nascer do sol de felicidade. Beijos. Te amo.

Thiago Vieira disse...

Sempre cuidadosa, não entrega nada pronto. Tempo certinho e deixa um gostinho de quero mais ao fim. Parabéns e que venham mais.

José disse...

amiga claudia essas suas palavras sao de conforto pra min li e reli o seu texto e fiquei encantado pois eu passo por um momento parecido com o que vc relatou.... um abraço e belissimo trabalho abraços do (j.junior)

José Correia Torres Neto disse...

Amiga Cláudia,
Mais uma texto que transborda sentimento, emoções. Beijos e muito obrigado pela visita.
José Correia Torres Neto

Ricardo Medeiros disse...

Caralho!!! Rsss...
Me vi nas entrelinhas desse texto. Muito massa, Claudinha. Adorei!

Regina disse...

Sentimentos à flôr da pele. Intenso nas emoções. Me fez desejar: e depois,...?
Belíssimo
bj

Jean disse...

Lindo, poetico e fascinante. É mais que um prazer poder ler seus textos, conto os dias para ler seus novos textos.

Moacy Cirne disse...

Lirismo transbordante, entre a tristeza e a esperança (através da escrita): o ato de se envolver com texto, amorosamente - mesmo na dor, mesmo na saudade, mesmo na solidão. Um beijo.

Hebert disse...

Fabuloso!! Grita com propriedade a respeito da carne, é, como sempre, visceral e poeticamente excitante. Não...na verdade não há palavras, você já as tomou, todas!

Rodrigo Soares disse...

Como sempre, perfeitooo!! Claudinha, escreve maaaaais..rsrs

Adoro seus textos, fico ansioso esperando o seu recado dizendo que já tem texto novo! Beijos mil!!

VERBO SOLTO disse...

estupendo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!muy bueno..........senti empatia pelo texto colocarei em meu blog.......se pudesse colocaria em um out door em frente a casa de uma "pessoa".........
abraço......continue mostrando seus textos...minha alma diz obrigado.......

Mulher na Janela disse...

cabe ao artista transitar tensamente pelos mundos a fora e levar ao leitor a verdade da vida compartilhada...a arte é amálgama de sonhos e desilusões...madeixas e carinhos...suspiros e desencantos...você traduz bem isso!

beijos...

Iara

Aurélia disse...

Muito bonito, Claudinha!
xêru

Gustavo Wanderley disse...

oi, Claudinha. Gosto da exposicao seria. Esse è o caso. parabèns. muito sucesso no seu blog. saudades.

o alquimista disse...

Diz ser um anjo na Terra, os olhos do Deus Bendito, deixado neste pequeno mundo por outro Anjo de olhar aflito. Apareceu como por encanto, nasceu do nada, terá nascido!?


Solenes são os sentires de um Mago


Virão ventos de bonança ao teu coração


Um suave beijo

Luciene Danvie disse...

Obrigada pela visita ao meu blog. Obrigada por suas palavras de carinho também!
posso adicionar seu link?
Abraços

Márcio disse...

É no fim, quebrou o copo na parede! Puro sentimento!

www.lavraalma.zip.net disse...

E resta o universo com o sol das possibilidades.. Belo texto..um grande abraço!

(drika)

www.cefascarvalho.blogspot.com disse...

Cadê o conto novo? Teu marido-admirador e uma legião de leitores cobram, com carinho e sadia ansiedade. Que venha, à galope, o texto novo. Beijos.

Cida disse...

Essa Menina Flor está inspiradíssima e apurando seu talento visceral e lírico...muito bom mesmo !!!venha pra Curitiba mostar tudo isso...estou à sua disposição.
beijo, beijo

Eliza Gregio disse...

Claudia e muito bom passar por aqui parabens. Um abraço Eliza Gregio

marjore disse...

Maravilhoso sua incrível! Causa um misto de curiosidade e dó daquela criatura. Ao mesmo tempo suavisada pela poesia e sutileza das palavras. Amei. Bjs

nilton disse...

claudia agente nao perde tempo,vive o tempo!preciso ler seus
contos,pq é só vivendo,q nos tornamos ator. adoro vc cachorra!

Maguila disse...

Sou etenamente seduzido pela sua poesia! A saudade que sinto de vc neste momento e a emoção do que vc escreve é tão grande que não cabe no peito. Cheiro no coração